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Especialista alerta sobre doenças psicológicas nos tempos do mundo digital

Desde o advento da internet, as pessoas estão cada vez mais ligadas a elas. De fato, tem ajudado em especial ao possibilitar pesquisas, a difundir a informação, a se comunicar mais rápido. Mas, até que ponto o uso é bom? O fato é que o uso constante e por que não dizer compulsivo da Internet, tem sido motivo de alerta para a psicologia.

A dependência da internet tem prejudicado a vida de muitas pessoas. “Adultos, adolescentes e crianças não percebem, mas aos poucos vão se envolvendo tanto com as redes sociais que ficar sem elas é sofrido. Não se pode generalizar, mas muitos desenvolvem os transtornos provocados pelo uso desregrado, não comem direito e não tem horário pra dormir. Uns passam a madrugada acessando a internet, vendo vídeos, conversando pelas redes sociais. Por isso, é preciso estar atento aos sinais e utilizar racional e moderadamente a tecnologia”, afirma o psicólogo Miguel Soares.

Doenças como Nomophobia, Síndrome do toque fantasma, Náusea Digital ou Ciberdoença, Transtorno de Dependência da Internet, Cibercondria ou Hipocondria Digital são alguns transtornos mentais causados pelo excesso da internet.

Uma das mais comuns é a Nomophobia ou medo de ficar sem celular. Com tantas inovações nesse mercado, a cada aparelho novo lançado, surge a ansiedade para obtê-lo.  A Nomophobia é o pavor de simplesmente ficar sem a possibilidade de se comunicar por ele. “O aparelho precisa ficar 24 horas sob o domínio do dono. Tem gente que fica transtornado ao perder uma ligação telefônica ou por não responder aos whats que levam o aparelho para o banheiro e até dormem com o mesmo debaixo do travesseiro”, enfatiza.

Já teve a sensação de o celular vibrar no bolso, mas nem está lá? Isso se chama Síndrome do toque fantasma. Sem receberem nenhuma ligação, as pessoas têm a sensação de sentirem o aparelho vibrando, sem ao menos estar no bolso.

Outra doença comum é o Transtorno de Dependência da Internet ou a compulsão em permanentemente acessar a web. “Já viu aquela pessoa que ao chegar num ambiente comercial, a primeira coisa que pergunta é a senha do WhatsApp? Pois então, muitas preferem conversar com outras por meio da internet, deixando de lado o contato pessoal. Faz isso, em casa, no trabalho, na rua, num barzinho. Não podemos generalizar, mas esse tipo de comportamento pode estar relacionado a doenças, como depressão, Transtorno de Déficit de Atenção, ansiedade social e TOC”, disse Miguel Soares.

E não para por aí. Miguel explica que o acesso constante aos jogos pelo celular ou computador torna o usuário viciado. “Quem joga não leva a sério, mas é preciso estipular tempo para os jogos porque o cérebro fica condicionado a receber dopamina e a serotonina para que a pessoa se sinta bem. Grande parte da população em nosso país está deixando de se socializar cara a cara, ter contato pessoal devido às redes sociais. É comum vê-las trocando mensagens para pessoas ao lado, ao invés de conversarem num barzinho, ficarem em seus mundos tecnológicos. Onde vamos parar? Esta é uma pergunta difícil demais para responder. Uma coisa é certa: os pais que tem filhos pequenos e adolescentes precisam dar-lhes limites”, conclui.