Depressão Feliz: disfunção bioquímica do cérebro que mascara comportamentos
“Nas redes sociais encontramos pessoas que se dizem felizes em sua plenitude, porém quando fazemos uma análise, notamos que tal comportamento parte de uma base depressiva”, diz analista comportamental
Só quem tem ou já sofreu com a depressão sabe que vai muito além de coisa da cabeça ou dengo. A depressão e a ansiedade são doenças psiquiátricas e crônicas, que produzem uma alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda, associada a sentimentos de amargura, desânimo, dor, baixa autoestima e culpa, assim como a distúrbios do sono e do apetite. No cérebro dos deprimidos há diminuição da produção de certos neurotransmissores, entre os quais a serotonina está em baixa. A Organização Mundial da Saúde estima que haja 350 milhões de pacientes com depressão e atinge 1 a cada 5 pessoas no mundo.
Além dessa uma disfunção bioquímica do cérebro surge uma ‘nova’ doença peculiar denominada Depressão Feliz. A master coach trainer e analista comportamental, Hérica Santos, que também é diretora da Ipersonae, explica que a doença é muito parecida com o transtorno bipolar. “A depressão feliz é caracterizada por um comportamento anormalmente eufórico ou irritável, e ainda por falta de autocontrole e bom senso. Nas redes sociais encontramos pessoas que se dizem felizes em sua plenitude, porém quando fazemos uma análise, notamos que tal comportamento parte de uma base depressiva. A pessoa não consegue traduzir seus medos, necessidades e principalmente frustrações o que a leva a um quadro extremamente danoso, onde para mascarar as dificuldades, as pessoas se mostram de uma forma completamente diferente do que realmente são e estão”.
A depressão, insegurança e a ansiedade estão muito ligadas, e geralmente o paciente apresenta as doenças, em intervalos de tempo ou simultaneamente. A depressão prejudica as relações interpessoais e causa prejuízos sociais e materiais que agravam a situação do paciente e de pessoas próximas.
Causas
As causas da Depressão Feliz vão desde ao excesso de pressão social para se manter dentro de um padrão, ou de cobrança, até o pouco conhecimento de suas capacidades e habilidades, excesso de trabalho, desemprego, acontecimentos traumáticos na infância, estresse físico e psicológico, algumas doenças sistêmicas, como hipotireoidismo, consumo de drogas lícitas e ilícitas, genética, entre outros. “Quando a pessoa precisa provar o que não é, ou passa por cima de seus valores para ser aceita em um determinado grupo, ou ainda não admite errar é sinal de que precisa de ajuda profissional”.
Comportamento
Por que precisa de tratamento? Porque a compulsividade é um dos principais sintomas danosos. “Há pessoas que entram em shoppings e compram em excesso e depois se sentem culpadas, e mesmo assim continuam comprando para se manter no padrão. Pessoas que sentem necessidade de fazer piadinhas com os problemas dos outros, não se importando com o sentimento do próximo e quando são enquadrados, se tornam agressivos acerca de seus próprios problemas”.
Autoconhecimento
Você já se deparou com alguém que se mostra sempre acima de tudo e de todos, sempre fazendo piadinhas de mau gosto, mostrando um humor sarcástico fora do comum? “Estes comportamentos também estão relacionados à Depressão Feliz. A base para a cura é o autoconhecimento, e o mais recomendado é que a pessoa procure uma ajuda profissional, de um Analista Comportamental, Coach e ou Psicólogo. A solução parte da aceitação e do reconhecimento de si e dos ambientes ao qual a pessoa está inserida, respeitando a sua base de valores”, esclarece Hérica Santos.
Outro tratamento indicado e de ajuda é a terapia com um psicólogo. “Quando a pessoa opta pela terapia, aprende a lidar com as aflições e identificar os problemas que provocam os sentimentos negativos de um outro ângulo. A terapia também ajuda a desenvolver habilidades para perceber, interromper comportamentos negativos e pensamentos ruins de coisas que provavelmente nem vão acontecer”, disse o psicólogo Miguel Soares.